Notícia Vendas de carros no Brasil está boa, mas crise na Argentina derruba produção nas fábricas nacionais

O setor automotivo brasileiro atravessa um cenário de contrastes no início de 2026. Enquanto o mercado interno dá sinais de vigor, com os emplacamentos somando 355,7 mil unidades no primeiro bimestre — desempenho que mantém o fôlego registrado no ano anterior —, as linhas de montagem pisaram no freio. Segundo dados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), a produção nacional recuou 8,9% no período, totalizando 338 mil automóveis.

O paradoxo é explicado pelo setor externo: as exportações despencaram 28% no acumulado do ano, com apenas 59,4 mil unidades enviadas ao exterior. O principal entrave é a retração da Argentina, destino histórico da produção brasileira. “A diminuição das vendas para o mercado vizinho preocupa e impacta diretamente o ritmo das nossas fábricas”, afirma Igor Calvet, presidente da entidade.

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Apesar do revés na exportação, o balanço doméstico traz alento. Em fevereiro, a média diária de vendas atingiu 10,3 mil veículos, a segunda melhor marca para o mês na última década. O crescimento de 18% nos segmentos de automóveis e comerciais leves ajudou a mitigar a crise nos veículos pesados, como caminhões e ônibus, que amargaram queda de 29,4% no bimestre.

Outro destaque do levantamento é a consolidação dos eletrificados. Em fevereiro, modelos híbridos e elétricos responderam por 15,9% das vendas totais (28.120 unidades). A maturidade da indústria local também evolui: 43% desses veículos já são produzidos em solo brasileiro, a maior participação histórica. Para os próximos meses, o setor aposta no programa Move Brasil para impulsionar a renovação da frota de pesados e estabilizar a produção nacional.

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