Notícia Como era o mercado de carros no Brasil na última vez que ganhamos uma Copa do Mundo

A seleção brasileira de futebol passa por um jejum de 24 anos sem ser campeã na Copa do Mundo e muitos acreditam que existe a chance disso ser quebrado em 2026. A última vez que fomos campeões mundiais no esporte bretão foi em 2002, um ano onde o mercado de carros era bem diferente do atual e que teve grandes novidades.

Uma das diferenças mais notáveis era o volume de vendas: em 2002 foram emplacados 1.387.499 carros. Como comparação, em 2025 tivemos 2.485.319 unidades emplacadas durante o ano.

Volkswagen Gol Plus 1 0 8v 2002 prata frente

O Gol da época era o G3, o mais bem resolvido em desenho e com gama mais diversa na história do compacto (Foto: Volkswagen | Divulgação)

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Uma coincidência é a marca que mais emplaca carros era a Fiat, assim como hoje. A segunda posição era da Volkswagen e a terceira ficava com a Chevrolet, hoje isso é o oposto. Veja o ranking:

PosiçãoMarcaEmplacamentosParticipação
1Fiat357.42725,4%
2Volkswagen346.85924,7%
3Chevrolet344.15224,5%
4Ford129,1299,2
5Renault61.2474,4%
6Peugeot45.0863,2%
7Toyota25.5521,8%
8Honda21.0141,5%
9Mitsubishi13.9751%
10Mercedes-Benz10.1480,7%
toyota corolla SE G 2003 prata frente

O lançamento mais importante do ano foi o do Corolla, que fez a Toyota disparar em vendas (Foto: Toyota | Divulgação)

Enquanto hoje o ranking dos carros mais vendidos é tomado pelos SUVs e por uma participação significativa dos carros eletrificados, em 2002 a lista era dominada pelos compactos nacionais. O Volkswagen Gol liderava com folga, seguido pelo Fiat Palio e pelo Chevrolet Celta.

Um detalhe curioso é que o Corsa Sedan vendia mais que o dobro do hatch, pois existiam duas gerações diferentes do três volume em nosso mercado. Outra curiosidade era o Peugeot 206 na sétima posição, o hatch fazia sucesso por ser bonito e pelo fator novidade. Ele sozinho em 2002 vendeu mais que toda a marca em 2025.

O carro médio mais vendido em 2002 foi o Volkswagen Golf, com 25.177 unidades. Veja o ranking dos 30 carros mais vendidos de 2002:

PosiçãoCarroEmplacamentos
1Volkswagen Gol190.871
2Fiat Palio119.020
3Chevrolet Celta97.946
4Fiat Uno87.009
5Chevrolet Corsa Sedan85.738
6Ford Fiesta54.282
7Peugeot 20636.684
8Chevrolet Corsa hatch33.266
9Fiat Siena30.138
10Fiat Palio Weekend30.000
12Volkswagen Golf25.177
13Volkswagen Polo24.891
14Renault Clio23.059
15Chevrolet Astra Sedan21.694
16Volkswagen Parati20.778
17Volkswagen Saveiro19.837
18Honda Civic19.280
19Chevrolet S1018.857
20Volkswagen Santana18.415
21Ford Ka16.977
22Toyota Corolla15.696
23Chevrolet Astra hatch14.312
24Volkswagen Kombi14.309
25Renault Clio Sedan13.698
26Renault Scenic12.677
27Citroën Xsara Picasso12.157
28Chevrolet Zafira11.030
29Fiat Doblò9.747
30Ford Focus hatch9.681

Os carros que foram lançados em 2002

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O novo Chevrolet Corsa veio como um compacto premium (Foto: Chevrolet | Divulgação)
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A Meriva foi a primeira minivan compacta do país e o primeiro carro desenvolvido localmente pela GM a ser vendido na Europa (Foto: Chevrolet | Divulgação)

O ranking de vendas revela que o ano de 2002 foi bem diferente do que estamos acostumados. Em parte isso é explicado pelas novidades que chegaram no meio do ano, que mudaram as vendas nos anos seguintes.

Provavelmente o lançamento mais importante do ano foi a nova geração do Toyota Corolla. O sedã médio passou por uma evolução grande que mudou o segmento, trazendo porte maior e um padrão de qualidade elevado.

Ele estreou em junho trazendo o ator Brad Pitt como garoto propaganda. No final de 2002 o Corolla fechou o ano 29 posições acima da geração anterior no ranking de vendas.

Outro lançamento importante de 2002 foi o da Chevrolet Meriva. As minivans eram os carros da moda e essa foi a primeira compacta. Além disso, foi um projeto todo desenvolvido no Brasil com proposta global.

Volkswagen Polo Sportline Flex 1 6 8v 2004 prata frente

O Polo também era um compacto premium (Foto: Volkswagen | Divulgação)

Ela veio depois da nova geração do Corsa, a segunda no Brasil e terceira a nível global. O carro chegou nas versões hatch e sedã posicionado como um compacto premium, deixando o segmento de entrada para o Celta e o Classic.

Esse conceito de compacto premium foi uma das novidades no mercado brasileiro em 2002. O Volkswagen Polo veio com a mesma proposta e alardeava sofisticações como a direção eletro-hidráulica, volante com regulagem de profundidade, ar-condicionado automático e o uso de soldas a laser na construção.

Já a Ford lançou o novo Fiesta para o segmento popular mesmo, sem ensejos de brigar diretamente com Corsa e Polo. O hatch estreou a fábrica de Camaçari (BA), que hoje é da BYD.

O Ford Fiesta trouxe uma inovação que não pegou: o motor 1.0 supercharger. Ele usava um compressor mecânico para trazer mais força ao Zetec Rocam, rendendo 95 cv. Era quase a mesma potência do 1.6 aspirado, mas a novidade não colou.

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O face-lift do Astra trouxe junto a carroceria hatch de 4 portas e o esportivo GSI (Foto: Chevrolet | Divulgação)
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O Doblo estreou aparecendo nos dois primeiros reality shows do pais (Foto: Fiat | Divulgação)

A Fiat dedicou o ano de 2002 para dois lançamentos. O primeiro foi o Doblò, furgão com desenho polêmico que marcou presença na estreia dos dois primeiros reality shows do país: A Casa dos Artistas e Big Brother Brasil.

A outra novidade foi o Stilo, um hatch médio sofisticado que prometia incomodar o VW Golf. Ele podia vir equipado com computador de bordo, teto solar panorâmico, oito airbags, banco traseiro modular, sistema de som com MP3, ar-condicionado de duas zonas, faróis de xenônio e controle de estabilidade.

Apesar de ter tantas inovações tecnológicas, o Stilo usava o motor 1.8 Família 1 da Chevrolet, em versões de 8 ou 16 válvulas. O modelo esportivo Abarth tinha o 2.4 de cinco cilindros compartilhado com o Marea.

O Ford EcoSport foi revelado durante o Salão do Automóvel de 2002, mas seu lançamento ficou para o ano seguinte. O SUV nacional lançado no ano da copa foi o Mitsubishi Pajero TR4, versão atualizada o Pajero iO com melhorias feitas no Brasil e que fez sucesso.

Na lista de novidades menores tivemos reestilizações da Fiat Strada e do Chevrolet Astra, o lançamento do Volkswagen New Beetle e a Ford lançou o Ka Action para quem não tinha grana para o XR.

Mercado de picapes era bem diferente quando o Brasil foi penta

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A picape diesel mais potente era a Ranger, com 135 cv (Foto: Ford | Divulgação)
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A Hilux ganhou essa frente exclusiva para a América do Sul e motores novos (Foto: Toyota | Divulgação)

Enquanto hoje uma picape média turbodiesel com menos de 200 cv e 50 kgfm é chamada de fraca, em 2002 a mais potente do segmento tinha 135 cv e 38,2 kgfm. Esse título era da Ford Ranger, que recebeu um novo motor 2.8 International com turbo de geometria variável.

Na época quem procurava mais desempenho em uma média precisava procurar as versões V6 a gasolina. Em compensação, esses motores diesel antigos possuem concepção mais simples que os atuais.

Foi em 2002 que a Nissan começou a produzir veículos no Brasil, com a Frontier. Ela começou apenas com cabine dupla e usava o mesmo motor MWM turbodiesel da Chevrolet S10, com 132 cv. Mais tarde veio a versão de cabine simples e o SV XTerra.

A líder do segmento na época era a Chevrolet S10, que não teve novidades. A Toyota Hilux ainda tinha desempenho discreto e recebeu um face-lift em 2002, exclusivo para a América do Sul.

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O primeiro Nissan nacional foi a Frontier, que usava o motor diesel MWM da Chevrolet S10 (Foto: Nissan | Divulgação)
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A Fiat Strada já era líder no segmento e ganhou cara nova em 2002 (Foto: Fiat | Divulgação)

Junto do desenho renovado a picape japonesa ganhou novos motores. O 2.8 diesel aspirado deu lugar a um 3.0 de 90 cv, que ganhou uma versão turbo com 116 cv. Ela também ganhou um 2.7 a gasolina, com 142 cv.

Acima dessas médias existia apenas a Ford F-250 ou os modelos norte-americanos que vinham através de importação independente. Dentre as compactas a briga era entre Fiat Strada, Chevrolet Montana, Ford Courrier e Chevrolet Corsa Pick-Up.

Muitas coisas mudaram no mercado de carros brasileiro nestes últimos 24 anos. Mas agora esperamos que a situação do nosso futebol também mude e o hexa venha.

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